Joias de Fred Leighton no cinema

Joias de Fred Leighton no cinema

Fred Leighton é um joalheiro que negocia peças vintage, especialmente vitorianas, art déco e art nouveau. O profundo conhecimento dessas joias permite também o desenvolvimento de peças geniais. Muitas vezes elas são feitas a partir da reutilização de partes de outras joias ou reinterpretando peças do acervo. Ele se tornou mundialmente conhecido por causa de sua política de empréstimo para tapetes vermelhos, eventos beneficentes, filmes e até eventos particulares. Há sempre uma celebridade com alguma peça Fred Leighton na mídia.

Sua história é tipicamente self made man. Murray Mondschein comprou em 1959, em Greenwich Village – Nova York, uma pequena loja de artesanato mexicano chamada Fred Leighton, onde vendia entre otras coisitas peças de prata. Um comerciante de antiguidades vitorianas ofereceu a ele um lote de joias que foi vendido rapidamente. Ele percebeu aí uma grande oportunidade e começou a dividir seu tempo entre a loja e viagens para comprar joias antigas. Achou pechinchas entre as famílias européias, que ainda tentavam se reerguer depois da segunda guerra, e vorazes compradoras entre as milionárias de Manhattan. Seu negócio prosperou e, em 1974, ele adotou o nome do antigo proprietário de sua loja e se mudou para o Upper East Side (Madison Avenue). Neste endereço, ele fez fortuna vendendo suas joias vintage.

Eis que em 2006, ele vendeu sua marca para Ralph Esmerian, com quem fazia negócios há muitos anos. Ele se aposentou e se tornou consultor no desenvolvimento de linhas de joalheria nova e relojoaria.

Ralph Esmerian, por sua vez, pertence à quarta geração de uma família de negociantes de gemas e joalheiros. Seu avô foi lapidário em Constantinopla no final do século XIX. Seu pai foi um joalheiro que trabalhou primeiro na França e depois nos EUA. Ele se tornou famoso ao criar uma das primeiras coleções de joias da Neiman Marcus.

A novela começa quando, para levantar recursos para a compra, Ralph Esmerian ofereceu como garantia de empréstimo ao Merryl Lynch parte de sua coleção particular de gemas, antiguidades e obras de arte. Apesar dos planos de fazer da Fred Leighton uma marca mundial, a exemplo do que a H. Stern fez nos últimos anos, os negócios não se desenvolveram como esperado e a crise pegou todo mundo de mau jeito. Para surpresa do empresário, os diamantes não são os melhores amigos dos banqueiros (*). Em outubro de 2006, Merryl Lynch pediu a falência da joalheria. Houve muitas idas e vindas na justiça, porque Esmerian alegava que vendas privadas de pequenos lotes de peças arrecadariam mais recursos do que um grande leilão. Finalmente, em 15 de abril, parte dos bens de Esmerian e do acervo da Fred Leighton iriam a leilão, na Christie’s, sob o nome de Rare Jewels & Gemstones: The Eye of a Connoisseur. Esmerian conseguiu suspendê-lo, fazendo uso da legislação de proteção à falência. Desde então fala-se de vendas particulares com peças muito abaixo do preço de mercado.

Não é preciso nem dizer que a Fred Leighton já estava mal das pernas quando foi vendida. O Sr. Mondschein já tinha sido pego mais de uma vez fraudando impostos, o que nos Estados Unidos costuma dar cadeia. Ralph Esmerian andava pedindo dinheiro a meio mundo, respaldado pela famosíssima coleção de sua família. O Merryl Lynch precisava de dinheiro em caixa e não queria nem saber de diamantes raros. O toque de classe foi dado ao contratarem Peter Bacanovic para ser o CEO que seria responsável estruturação da nova joalheria. Detalhe: ele foi a figura chave naquele escândalo que colocou a Martha Stewart decorando cela de penitenciária, há uns anos atrás.

Moral da história: nem tudo acaba em pizza. Há coisas que acabam em leilão da Caixa, ou não. Será que todas aquelas estrelas estavam usando suas novas aquisições na Noite de Gala do Costume Institute? Será que a minha joalheria preferida vai virar pó?

 

Fred Leighton - peças Art Déco

Fred Leighton – peças Art Déco

 

(*) Título de matéria que saiu na Fortune

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