Isto é um bidder paddle, ou seja, a raquete de frescobol para fazer lances num leilão

Bêbada de sono que estava, alinhavei um monte de coisas e não expliquei nada. Convenhamos que a maioria das pessoas nunca foi a um leilão nem leu My Love Affair with Jewelry, o livro realizado pela própria Elizabeth Taylor em 2002.

“The Collection of Elizabeth Taylor: The Legendary Jewels Evening Sale” faturou US$115.932.000 com a venda de 80 joias e alcançou sete recordes históricos:  maior valor total obtido num leilão de joias, preço por quilate de diamante, preço por quilate de rubi , brincos de pérolas naturais, joia de pérola, joia indiana e joia de esmeralda.

Nas sessões 2 e 3 do leilão, outros 190 lotes foram adquiridos por US$ 21.303.575. Na sessão 4, moda e acessórios foram comprados por US$ 1.067.663 e no leilão online que está quase acabando já foram vendidos mais US$ 2.611.400 de uma miscelânia que ainda incluia muitas joias.

Antes que eu me esqueça, os valores desde post estão um pouco diferentes do post anterior, porque eu estava registrando o valor do martelo, sem todas as taxas que incidem sobre a compra.

Descobri que nunca falei da pérola La Peregrina. Jurava que já tinha feito isso, por causa das minhas palestras de história da joalheria. Então, estou me auto-plagiando nesta edição de imagens e, através delas, fazendo um resumo relâmpago sobre a joia: Retrato de Doña Isabel de Bourbon, Velásquez, 1635; Elizabeth usa seu colar no filme Ana dos Mil Dias; Retrato de Mary I, Hans Eworth, 1554; montagem antiga; desenho da maison Cartier com anotação de Elizabeth, que participava ativamente do desenho de suas joias; montagem atual; Elizabeth nos anos 80; Elizabeth em 2003; La Peregrina é apresentada ao público no leilão

Numa vã tentativa de ser didática, fiz um resuminho para vocês da longa vida da pérola natural mais famosa do mundo:

1513 – La Peregrina é descoberta no século XVI por um escravo no Panamá e se torna a maior pérola da história até aquele momento (203,84 quilates).

1554 – Ela é entregue pelo conquistador Victor Nunez de Balboa à coroa espanhola. Filipe II de Espanha a dá de presente a Mary I da Inglaterra.

1558 – Com a morte de Bloody Mary, a pérola retorna ao tesouro espanhol.

1808 – José Napoleão se torna rei da Espanha e toma para si a pérola.

Entre 1848 e 1868 – Napoleão III, seu  sobrinho, vende a joia para o Duque de Abercorn.

Em 1969, Richard Burton a compra em leilão da Sotheby’s para presentear Elizabeth Taylor no dia dos namorados. O amor é lindo!

Uma história fofa: Elizabeth ganhou uma partida de Burton e o desafiou a encontrar o diamante perfeito. Ele saiu em busca do menor diamante de Gstaad e acabou comprando 3. Avaliados em US$5-7.000, eles foram vendidos por US$ 134.500. O casal tinha uma piadinha interna: quando alguém falava “que diamante magnífico!”, referindo-se ao Krupp, ela apresentava a outra mão, mostrava o Ping-Pong (como eles apelidaram o menorzinho dos 3) e dizia “Não é lindo!”

 

Esmeraldas são os novos diamantes, rs. Claro que essas peças barbarizaram no leilão. O broche da Bvlgari, que é destacável do colar e tem uma esmeralda para lá de espetacular com 18,26 quilates, foi arrematado por US$6.578.500. A peça mais baratinha foi o outro broche, desta vez floral e tremblant (adoro!), que saiu por US$ 1.538.5. Elizabeth Taylor, que acreditava no valor dos conjuntinhos comprou/ganhou estas peças entre 1960 e 1962, em sua maioria durante as filmagens de Cleópatra na Itália, quando ela e Burton deixaram o mundo em polvorosa com seu love affair nos sets de filmagem e suas fugidinhas para comprar joias na Bvlgari de Roma

 

Em 1972, Burton comprou o colar da Cartier com o diamante Taj Mahal, datado de 1627-8. Foi um dos presentes do 40° aniversário de Elizabeth. Pela frequência com que ela o usou, devia ser uma de suas joias preferidas. Por seu incrível valor histórico, gostaria que ele tivesse sido comprado por um museu ou pelo governo indiano, mas quem teria US$ 8.818.500, para pagar numa joia que foi estimada em US$300-500.000?

 

O broche da Duquesa de Windsor foi comprado por Elizabeth em leilão realizado em 1987. Quando ela era bem novinha, conheceu o Duque e a Duquesa. Anos mais tarde, por conta da nacionalidade de Burton, ela se apaixonou pelo broche a ponto da Duquesa oferecê-lo para ser copiado. Ela educadamente recusou, mas anos mais tarde surgiu a oportunidade de comprá-lo como uma lembrança daquela senhora. Avaliado em US$ 400-600.000, ele foi vendido por US$ 1.314.500

 

Esperava-se que o diamante Krupp fosse a grande estrela da noite, mas ele foi ofuscado por La Peregrina. Este diamante pertenceu a Vera Krupp, americana e segunda esposa de um industrial alemão, e foi comprado pelo casal Taylor-Burton num leilão na Sotheby’s ou na Parke-Bernet Galleries (conforme a fonte) em 1968. Sem dúvida sua joia preferida, pelo valor sentimental e pela beleza da gema. Elizabeth tinha orgulho de, sendo judia, ter um tesouro de um simpatizante nazista

 

Minha Tiara, mais conhecida como Tiara Mike Todd, foi dada pelo marido n° 3 em 1957 e usada na entrega do Oscar, em que ele levou o prêmio de melhor filme por A volta ao mundo em 80 dias. Zebra total do leilão, o valor estimado era de US$ 60-80.000 e o martelo bateu em US$4.226.500

 

MINHA pulseira de berloques (charms para quem tem menos de 25 anos, rs) era a primeira peça do leilão, estava avaliada em US$25-35.000 e foi arrematada por US$ 326.500. Lembram que eu mostrei há alguns dias que ela tem uma lupa de joalheiro?

 

Deixei o melhor para o final. Esta é Elizabeth Taylor na piscina, torrando como só se fazia até os anos oitenta e participando por telefone do leilão das joias da Duquesa de Windsor no qual comprou o broche de que falei antes

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