Broche Gerânio, JAR 2007

A última exposição e o único livro completaram 10 anos. Foi em 2002-3, com uma exposição na Gilbert Collection – Somerset House em Londres, que Joel Arthur Rosenthal comemorou 25 anos de carreira como o mais Greta Garbo de todos os joalheiros até hoje. Para você saber como ele é, precisa ter acesso ao enorme e luxuoso livro assinado por ele  e publicado pelo Antique Collectors’ Club, já que quase não há fotos suas por aí (continue lendo). A preço de hoje o livro não custa menos que R$5.000,00. Isso se você encontrar um livreiro desatento que não saiba o valor de mercado da obra. Não sei se ele saiu por aí, dizendo “I want to be alone”, como a diva de Hollywood. Sei apenas que numa época de celebridades sem valor, seu espetacular e sempre consistente trabalho vale por si só, prescindindo de aparições públicas, atrizes e modelos famosas, propagandas e fofocas.

JAR sempre recebeu pessoalmente sua clientela. Este grupo seleto de pessoas se manteve ao longo dos anos através de indicações pessoais. Ninguém toca o interfone da Place Vendôme sem ser convidado. Boa parte de suas peças já é produzida com dono certo. Não aparece ninguém dizendo por aí que é funcionário dele, quanto mais ourives contratado. Famoso por realizar poucas peças (dependendo da fonte os números vão de 50 a 100 joias por ano), ele agora completa 70 anos de idade e 35 anos de carreira e parece estar reduzindo ainda mais o ritmo. Aposentado ou não, há um número limitado de joias com sua assinatura e caixinha vermelha no mundo, o que faz de cada peça, mesmo as flores de alumínio, não só objeto de desejo, mas item de colecionador abastado. Por falar nisso, a melhor chance de colocar os olhos em joias de JAR é acompanhando os leilões internacionais. Pelo menos até agora.

O joalheiro em duas raras imagens, a vitrine no MET com uma seleção de borboletas (flores e animais são uma constante em seu trabalho) e exemplos dos materiais com os quais ele cria – alumínio, madeira e pintura, para quem pensava que ele era “apenas” o rei do pavê e das pedras

A partir de hoje e até o dia 9 de março de 2014, o Metropolitan Museum of Art de Nova York apresenta a exposição Jewels by JAR, com nada menos que 400 joias emblemática de sua carreira. Pelo caráter escultórico, o uso da cor e a experiência com materiais diversos, ele ultrapassa o universo da joalheria e é considerado um dos grandes artistas da segunda metade do século XX. E pensar que antes de abrir sua lojinha na Place Vendôme em 1978, ele se aventurou pelo mundo da tapeçaria com seu parceiro Pierre Jeannet…

Corre para visitar, comprar o catálogo (pequeno, mas significativo) e adquirir um dos brincos e relógios desenhados por ele para a loja do MET. Tudo bem que o catálogo já está esgotado na Amazon, embora ainda esteja disponível na loja, e que as peças devem acabar hoje ainda, mas não custa tentar. Afinal, ele sempre fez a alegria de apenas alguns poucos mortais mesmo.

Para quem consegue esperar mais um pouquinho e tem bala na agulha, o livro JAR Paris tem uma versão revista sendo lançada e acaba de ser editado um novo livro JAR Paris II, que trará fotos de melhor qualidade e peças produzidas na última década. Ele estará à venda exclusivamente na Librairie Galignani. Você pode reservar o seu aqui.

Se você ainda não entendeu a rara oportunidade, fique sabendo que a primeira das três únicas exposições do seu trabalho aconteceu também em Nova York, na National Academy of Design, em 1987. Ela foi uma exibição privada comemorativa dos 10 anos da joalheria e durou apenas 24 horas.

Broche Lilases, JAR 2001

 

Para ler o que escrevi sobre JAR é só clicar aqui e também aqui.

Nota: imagens da expo são da WWD e do blog The Jewelry Loupe.

 

Tags: , , , ,