Colar Marie de Médicis com 15 rubis birmaneses, 2 pérolas e 5080 diamantes em ouro branco. Esta peça foi criada por Edéenne, consumiu mais de 4600 horas de trabalho e é peça central da coleção de alta joalheria que comemora os 400 anos da Mellerio dits Meller. No detalhe, Marie de Médicis, rainha que inspirou toda a coleção, em retrato da juventude por Alessandro Allori

Colar Marie de Médicis com 15 rubis birmaneses, 2 pérolas e 5080 diamantes em ouro branco. Esta peça foi criada por Edéenne, consumiu mais de 4600 horas de trabalho e é peça central da coleção de alta joalheria que comemora os 400 anos da Mellerio dits Meller. No detalhe, Marie de Médicis, rainha que inspirou toda a coleção, em retrato da juventude por Alessandro Allori

Se a história das nações já é cheia de furos, imagina a história de uma empresa familiar. Mellerio dits Meller é considerada a joalheria mais antiga da Europa em atividade constante. Esta atividade está tão bem documentada que ela faz parte do Les Hénokiens, clube que reúne empresas familiares com mais de 200 anos de atividades. Entretanto, documentados ou não, sua história guarda algumas controvérsias lá nos seus primórdios. Nada que comprometa as 14 gerações da família que passaram pelo comando da joalheria da Rue de la Paix. Ou melhor, 15 com a chegada de Émilie Mellerio à presidência da Mellerio International.

Seu início foi lá atrás ainda na região do Piemonte, na Itália, em 1613. Sua cliente mais ilustre foi Marie de Médicis, rainha da França e italiana de nascimento, que concedeu uma carta de privilégios para seu comércio de cristais, louças e quinquilharias, carta esta confirmada por todos os reis franceses que vieram depois dela. Por um lado, dizem que em meados do século XVIII Jean Baptiste Mellerio tinha um olho bom para joias e reuniu um acervo que fez dele um dos fornecedores oficiais de joias para Maria Antonieta. Por outro lado, há quem diga que um Mellerio (“ditos” Meller, para afrancesar o nome)  foi tentar a sorte como comerciante e acabou trabalhando na oficina de ourivesaria de um conterrâneo em Paris,  logo depois da Revolução Francesa, quando de fato Mellerio teria surgido como joalheria. Aí já avançamos várias casas, um século e meio e mais uma revolução. Vai entender…  O que importa é que eles tem um dos conjuntos de livros de encomendas mais fantástico do mundo e que meia realeza mundial já comprou joias saídas de seus ateliers.

Outra peça espetacular da coleção é a tiara que também pode ser usada como colar. São 35 lírios do vale de diamantes e pérolas em ouro branco.Para completar, uma peça única, um misto de devant de coursage com broche, uma peça para ser aplicada no decote e que desliza até o ventre com pérolas, esmeralda e diamantes em ouro branco. Dois anéis espetaculares aparecem no detalhe

Se foi porque eram bons comerciantes, ou por serem italianos, ou por terem pendores diplomáticos ou simplesmente por terem ajudado a desmantelar um complô contra Louis XIII, não interessa. O  que importa é que a Mellerio dits Meller comemora 400 anos em 2013 com várias atividades: um jantar ultra vip para colecionadores e amigos da casa que aconteceu em Paris, um livro sobre a história da joalheria lançado no dia 17, um site estalando de novo que deve ficar pronto nos próximos dias e lançamentos sem fim. O mais importante lançamento é o da nova coleção de alta joalheria que homenageia Marie de Médicis, com peças cheias de flores de lis, símbolo da monarquia francesa. São três linhas de joias: a Toi et Moi, com flores em botão, a Evanescente, com peças em forma de pétalas estilizadas e a Médicis, com flores desabrochadas, em todo o seu esplendor e apropriando-se das cores de rubis, safiras e esmeraldas.

Esta coleção de alta joalheria foi criada em parceria com a joalheira canadense Edéenne, a mais nova estrela da Place Vendome. Edéenne por si só já dá uma longa história, que contarei qualquer dia desses. Sua escolha deve funcionar como uma incrível injeção de juventude numa Maison mergulhada na tradição de servir a reis e rainhas. Só para vocês terem uma ideia, ela me pareceu ter o mesmo vibe da minha ídola Victoire de Castellane!

Inspirar-se em rainhas é um hábito da casa, que teve muitas delas como clientes. Na última coleção, a inspiração foi o Mont Rose, onde a rainha italiana Margherita de Savoia cresceu encantada com rosas e lírios. Antes disso, a Mellerio fez sua primeira participação na semana de Alta Joalheria com a coleção Reines du Coeur (Rainhas do Coração ), inspirada naquelas rainhas e imperatrizes que reinaram na Europa dos séculos XVIII e XIX: Marie Antoinette da França, Louise da Bélgica, Joséphine de Beauharnais da França, Eugénie da França, Désirée da Noruega e Caroline Bonaparte de Nápoles.

Colar e aneis da coleção Monte Rosa, tiara com rosa central feita em 1868 por encomenda de Victor Emanuel II, rei da Itália, como presente de casamento para sua nora, esposa de seu filho Humberto I. Margherite de Savoia usando sua tiara

Colar e aneis da coleção Monte Rosa. Tiara com rosa central feita em 1868 por encomenda de Victor Emanuel II, rei da Itália, como presente de casamento para sua nora, esposa de seu filho Humberto I. Margherite de Savoia usando sua tiara

Conjunto Rubambelle de safiras rosa e diamantes em ouro cinza, da linha marie Antoinette, parte da coleção Reines du Coeur. No detalhe, Maria Antonieta e sua pulseira com rubis e camafeus em ouro amarelo, de 1781

Conjunto Rubambelle de safiras rosa e diamantes em ouro cinza, da linha marie Antoinette, parte da coleção Reines du Coeur. No detalhe, Maria Antonieta e sua pulseira com rubis e camafeus em ouro amarelo, de 1781

Sabe como eu vou esclarecer isso tudo ou pelo menos me entender com a versão oficial? Está chegando meu livro Mellerio, de Vincent Meylan (Éditions Télémaque), vindo de jegue direto da Amazon France. E, para completar, farei de conta que não existe a Joalheria Torrini em Florença desde 1369.

Em resumo, é mais ou menos como eu comemorar 25 anos de joalheria, considerando o primeiro curso que fiz, ou 10 anos, considerando o período de atividades ininterruptas, ou ainda, 5 anos, se levarmos em conta quando inaugurei o atelier e passei a viver disso. Tudo é festa! Deu para entender, Caetano?

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