Charles I, rei da Inglaterra, em pintura de Van Dyck, 1635-7

Charles I, rei da Inglaterra, em pintura de Van Dyck, 1635-7

Facebook também é cultura. No início da semana, vi esta imagem num grupo do qual participo e, com a minha memória de  Dory, esqueci de perguntar o motivo do post. Claro que andamos estudando pérolas e fazia todo o sentido. No final das contas, esqueci da história toda, mas fiquei com a imagem na cabeça. Esse quadro tinha pinta de século XVII, a figura tinha pinta de inglês, o pintor tinha mais jeito de flamenco que de italiano ou espanhol. Voilà: Carlos I da Inglaterra e seu brinco de pérola.

Baixou o espírito investigativo e imaginei que uma pérola tão retratada (observem as outras imagens) não deveria ter se perdido por aí. Onde será que ela foi parar. Achei: ela está na Harley Gallery em Welbeck, Worksop, Nottinghamshire, lá no meio da Inglaterra. Como? Depois da morte de Charles I, a pérola foi dada para sua filha Mary. Após a morte da princesa, a pérola foi entregue a um dos nobres mais leais ao rei e  tutor de seu filho Charles II, William Cavendish, 1st Duke of Newcastle-upon-Tyne.  A pérola faz parte do tesouro de sua residência Welbeck Abbey em Nottinghamshire. Atualmente, a residência e seu tesouro pertencem por herança aos Duques de Portland.

Brinco de Pérola de Charles I

Brinco de Pérola de Charles I

O que mais me interessou nessa história toda é que, até os diamantes receberem lapidações que realmente tiravam deles aquele fogo e brilho que hoje conhecemos lá pelos idos de 1750, as pérolas eram o bem mais precioso que uma pessoa poderia ter. Isto justifica plenamente um rei ter pérolas, mas e o brinco?
Em algum momento da história o super brinco de pérola masculino se tornou um símbolo de bravura e charme. Pensem nos comandantes dos navios piratas, nos guerreiros mouros… Aparentemente, Charles I não era um exemplo de nenhuma das duas características. Ele era baixinho, tímido e cheio de problemas para resolver, num período bem tumultuado na história inglesa. É provável que ele usasse este brinco exatamente como forma de auto-afirmação. Por outro lado, ele era uma mecenas das artes e um apreciador do belo. A pérola poderia ser simplesmente um adorno muito apreciado

Neste nedalhão, Charles I ainda era muito jovem, mas já podia ser visto com sua pérola

Neste medalhão, Charles I ainda era muito jovem, mas já podia ser visto com sua pérola

Será que a pérola era um amuleto? O que sabemos é o que a arte revela: ele sempre usava este brinco de pérola. E a história conta mais um detalhe: ele teria sido decapitado com a pérola, que depois foi retirada, limpa e entregue à sua filha Mary.

Detalhe de outro quadro de Sir Anthony van Dyck (Antoon van Dyck)

Detalhe de outro quadro de Sir Anthony van Dyck (Antoon van Dyck)

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