Esta água marinha era tão deslumbrante que bastou o design singelo de Jean Schlumberger, um laço para presente, para criar a joia perfeita. O broche, além de lindo de morrer, lembra as caixinhas da Tiffany & Co. Seu nome é óbvio: Aquamarine and Diamonds Bow Brooch. No detalhe, a versão em kunzita

Esta água marinha era tão deslumbrante que bastou o design singelo de Jean Schlumberger, um laço para presente, para criar a joia perfeita. O broche, além de lindo de morrer, lembra as caixinhas da Tiffany & Co. Seu nome é óbvio: Aquamarine and Diamonds Bow Brooch. No detalhe, a versão em kunzita

A água-marinha é prima da ametista. Não por sua composição química ou qualquer outro aspecto relevante, mas porque está tão presente em nossas vidas que não damos o devido valor a ela. Além disso, como temos as maiores jazidas do mundo, também temos um monte de gemas sem valor, é tudo uma questão de proporção. As águas-marinhas ficam esverdeadas ou esbranquiçadas na luz do dia e as pessoas não vêem graça nisso, mas todo mundo adora as nuances do mar, não é mesmo? O mais terrível é que muita gente acaba preferindo os topázios azuis, muitas vezes termicamente tratados, só porque são mais límpidos e têm um azul mais uniforme. Isso sem falar da gema do momento, a turmalina Paraíba com seu azul néon absurdo.

Estas peças, que fazem parte da caixinha de joias da Elizabeth II, não somente foram confeccionadas com águas-marinhas brasileiras como foram realizadas pelos joalheiros brasileiros Mappin e Webb do Rio de Janeiro e presenteadas pelo nosso governo em três ocasiões. Em 1953, o Presidente do Brasil e seu Povo deram à rainha o colar e os brincos pela sua coroação. Em 1958, foi a vez do Governo Brasileiro dar a pulseira e o broche que combinam perfeitamente com as peças anteriores.

Estas peças, que fazem parte da caixinha de joias da Elizabeth II, não somente foram confeccionadas com águas-marinhas brasileiras como foram realizadas pelos joalheiros brasileiros Mappin e Webb do Rio de Janeiro e presenteadas pelo nosso governo em três ocasiões.. Em 1953, o Presidente do Brasil e seu Povo deram à rainha o colar e os brincos pela sua coroação. Em 1958, foi a vez do Governo Brasileiro dar a pulseira e o broche que combinam perfeitamente com as peças anteriores. Em 1957, ela encomendou uma tiara a Garrards & Co, importantíssima joalheria inglesa e responsável por muitas joias da coroa desde 1735. A gema principal do nosso colar, que era um pingente destacável, foi substituída por uma menor, para se tornar a peça central da nova tiara. Para completar, sua visita ao Brasil em 1968 rendeu mais uns presentinhos em água-marinha, Por isso, em 1971, foi pedido a Garrards que incorporasse os quatro ornamentos laterais feitos a partir dos últimos presentes e a tiara ganhou o aspecto que conserva até hoje

Definitivamente a água marinha é uma das gemas favoritas da rainha. No detalhe, o par de brincos da joalheria Boucheron que foi presente dos pais no seu aniversário de dezoito anos, em 1944. Na foto maior, dá para ver o tamanho real (trocadilho inevitável) das peças de que falei antes.

Definitivamente a água marinha é uma das gemas favoritas da rainha. No detalhe, o par de brincos da joalheria Boucheron que foi presente dos pais no seu aniversário de dezoito anos, em 1944. Na foto maior, dá para ver o tamanho real (trocadilho inevitável) das peças de que falei antes.

A água marinha in natura parece doce, dá vontade de morder

A água marinha in natura parece doce, dá vontade de morder

Voltando ao que interessa, a água-marinha é da família dos berilos e é de fato prima das esmeraldas, dos berilos os mais variados e das morganitas. Seu nome é auto-explicativo e sua cor vem da presença de ferro em sua composição química. Sua rocha matriz é o pegmatito e o granito de granulação grossa. É possível encontrar gemas de tamanho surpreendente (mais de uma tonelada), mas nesse caso elas não costumam ter aplicação na joalheria, apesar de ficarem divinas em vitrines de museus.

Estes são os exemplos mais famosos de águas-marinhas em exposição no Smithsonian Museum of Natural History. O cristal bruto pesa 15.256 quilates (3,1 quilos) e a água-marinha em lapidação esmeralda pesa 1.000 quilates (200 gramas). Ambas foram encontradas em Minas Gerais. A menor é conhecida como Most Precious, nome do perfume lançado por seus doadores, Evyan Perfumes. A foto maior é a foto oficial do Instituto e a menor é a de um turista – só para ninguém achar que água marinha tem cor de turmalina paraíba, OK?

Estes são os exemplos mais famosos de águas-marinhas em exposição no Smithsonian Museum of Natural History. O cristal bruto pesa 15.256 quilates (3,1 quilos) e a água-marinha em lapidação esmeralda pesa 1.000 quilates (200 gramas). Ambas foram encontradas em Minas Gerais. A menor é conhecida como Most Precious, nome do perfume lançado por seus doadores, Evyan Perfumes. A foto maior é a foto oficial do Instituto e a menor é a de um turista – só para ninguém achar que água marinha tem cor de turmalina paraíba, OK?

Os primeiros indícios de exploração e uso desta gema citam jazidas em Madagascar, mas não precisam uma data. Já os primeiros registros datam do século V aC. Sabe-se que as águas-marinhas eram usadas como talismã por marinheiros gregos e romanos, com o rosto de Netuno ou figuras de sereias gravados nelas.

Por aqui, o maior cristal com qualidade para lapidação já encontrado pesava 110 kg e media 48,5 cm de comprimento por 41 cm de diâmetro. Papamel, como foi chamada, deu origem a inúmeras gemas para joalheria. Isto ocorreu em Teófilo Otoni, Minas Gerais, em 1910 e fez a fama da região no mercado internacional.

As gemas mais valiosas são aquelas completamente límpidas e de cor azul mais escuro. Os nomes dos tons de azul são super criativos: Santa Maria (como a mina de Itabira) , Espírito Santo e até Marta Rocha.

A água-marinha Dom Pedro foi achada em 1993 em Minas Gerais. Ela pesa 24,87 quilos e mede 53 centímetros de altura, sendo considerada a maior água-marinha lapidada da história. Já que todos os demais achados foram divididos em gemas menores para comercialização. Ela foi lapidada por Bernd Munsteiner que criou a escultura Waves of the Sea, com 35 centímetros de altura.

A água-marinha Dom Pedro foi achada em 1993 em Minas Gerais. Ela pesa 24,87 quilos e mede 53 centímetros de altura, sendo considerada a maior água-marinha lapidada da história. Já que todos os demais achados foram divididos em gemas menores para comercialização. Ela foi lapidada por Bernd Munsteiner que criou a escultura Waves of the Sea, com 35 centímetros de altura.

 

Cocktail ring do final dos anos 30 com água-marinha de 46 quilates em lapidação escada, 8 rubis de 0.6 quilates cada e ouro 14 quilates (bastante usado no período entreguerras).

Cocktail ring do final dos anos 30 com água-marinha de 46 quilates em lapidação escada, 8 rubis de 0.6 quilates cada e ouro 14 quilates (bastante usado no período entreguerras).

Anel Diorette - água-marinha, diamante, ametista, safira rosa, safira amarela, tsavorita e esmalte em ouro branco. Coleção Diorette, Victoire de Castellane para Maison Dior, 2006

Anel Diorette – água-marinha, diamante, ametista, safira rosa, safira amarela, tsavorita e esmalte em ouro branco. Coleção Diorette, Victoire de Castellane para Maison Dior, 2006

Anel Miss Dior - água-marinha e diamantes em ouro branco. Coleção Miss Dior, Victoire de Castellane para Maison Dior, 2007

Anel Miss Dior – água-marinha e diamantes em ouro branco. Coleção Miss Dior, Victoire de Castellane para Maison Dior, 2007

 

As águas-marinhas combinam maravilhosamente com um design bem clean e updated. Esta é de HollemensThiery e foi usada pela atriz Isabella Orsini, atriz italiana em seu casamento em setembro de 2009

As águas-marinhas combinam maravilhosamente com um design bem clean e updated. Esta é de HollemensThiery e foi usada pela atriz Isabella Orsini, atriz italiana em seu casamento em setembro de 2009

A beleza da estrutura da água-marinha de alta qualidade é ressaltada pela lapidação esmeralda, escada ou tesoura. Já aquelas mais claras e leitosas ou com veios esbranquiçados ficam maravilhosas em lindos cabochões ou em placas. Na escala de Mohs, ela fica entre 7,5 e 8,0, e é preciso ter cuidado com as peças para não sofrerem impactos, pois correm o risco de se quebrar.

Prova de que os cabochões opacos também são lindos: anel Sunflower – água-marinha, diamantes e ouro 18 quilates, de Robin Koffler

Prova de que os cabochões opacos também são lindos: anel Sunflower – água-marinha, diamantes e ouro 18 quilates, de Robin Koffler

Há também jazidas na Austrália, Índia, Quênia, Moçambique, Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Tanzânia, República Malgaxe, Estados Unidos e Birmânia. As jazidas russas são consideradas esgotadas.

Descobri que normalmente faço peças com águas-marinhas sob encomenda. Nesses casos, sempre entrego correndo e nunca tiro fotos, ops

Descobri que normalmente faço peças com águas-marinhas sob encomenda. Nesses casos, sempre entrego correndo e nunca tiro fotos, ops

Gemas disponíveis para fazer uma peça do seu jeito, para o seu bolso

Gemas disponíveis para fazer uma peça do seu jeito, para o seu bolso

Bird on a rock: outro desenho de Jean Schlumberger para a Tiffany & Co. Originalmente realizado para acompanhar o Diamante Tiffany, no detalhe, aqui traz uma água marinha de arrasar

Bird on a rock: outro desenho de Jean Schlumberger para a Tiffany & Co. Originalmente realizado para acompanhar o Diamante Tiffany, no detalhe, aqui traz uma água marinha de arrasar

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