As Joias do Filme A Jovem Rainha Vitória 14 de julho de 2010
Quando sai um filme sobre uma rainha que tinha muitas joias no cofre, é minha obrigação moral correr para assisti-lo. OK, desta vez eu não corri tanto assim… Agora são dois filmes no meu currículo sobre o início do reinado de Vitória: A Jovem Rainha Vitória de 2009, com a “diaba veste prada” Emily Blunt, e Os Jovens Anos de uma Rainha de 1954, com a “eterna Sissi” Romy Schneider.

Este é o retrato da Rainha Vitória no dia de sua ascensão ao trono, 20 de junho de 1837, data do falecimento de seu tio Guilherme IV
Como o nosso Pedro II, ela passou à história com uma senhora em eterno luto e gordota. O filme dá uma clássica exagerada, mas nos faz reconhecer que ela foi uma jovem razoavelmente atraente e apaixonada. E que adorava joias. Tanto que depois da morte do marido, ela gerou toda uma nova joalheria de luto. Qualquer dia desses falo sobre isso.
O filme apresenta o período de sua vida que vai de 1836 até 1841, com algumas cenas finais dos anos seguintes.
Dizem que era completamente apaixonada por gemas e uma de suas preferidas era a opala. Reza a lenda que minas dessa gema se esgotaram nos primeiros anosde seu reinado. Por outro lado, Vitória tinha muito clara a importância de manter a majestade em suas aparições públicas através do uso de joias da Coroa. Sendo mulher, ela considerava todos os gestos que pudessem ajudá-la a conquistar seu espaço na história de seu país.

Rainha Vitória em fotos com Príncipe Albert. A última foto, ao contrário do que muita gente acredita ou copia e cola, não é do casamento deles, mas do casal em trajes de gala alguns anos depois
Foram 20 anos de casamento e 9 filhos. Vitória é conhecida por ter sido a primeira mulher a se casar de branco e a primeira monarca a se casar por amor.
A atual Coroa (Imperial State Crown) é uma réplica mais leve e mais baixa daquela usada por Vitória em sua coroação. Ela vem sendo feita e refeita desde o século XVII, praticamente a cada coroação. Para o cortejo, Vitória usou o Diadema de Diamantes (Diamond State Diadem), que foi feito em 1820 para a coroação do Rei George IV. São 1.333 diamantes, pesando 327,75 quilate, e com 169 pérolas na base, montados em prata e ouro amarelo. Entre as cruzes de São Jorge, o diadema apresenta buquês com rosas, cardos e trevos – símbolos nacionais da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Já o cetro (Sovereign’s Sceptre with Cross) tem quase um metro de altura e atualmente traz o diamante Cullinan I de 530 quilates numa montagem que pode ser revertida em broche.
Em seu casamento, Vitória usou um conjunto de colar e brincos de diamantes com rosetas que o Sultão da Turquia deu de presente de casamento e que ela carinhosamente chamava de colar turco; o broche de safiras e diamantes com que o noivo a presenteou na véspera da cerimônia; e o colar da Ordem Garter (Garter Badge) com o Pingente de São Jorge (The Great George), ambos do século XVII, feitos em ouro, diamantes em lapidação rosa antiga e esmalte. No lugar de uma tiara, ela usou um arranjo de flores de laranjeira.
(A imagem do colar foi retirada do site da revista alemã Royal Magazin)
As flores naturais usadas como tiara em seu casamento têm umar razão de ser. Um dos primeiros presentes dados por Albert para Vitória foi um broche de ouro amarelo, porcelana e esmalte, representando brotinhos de flores de laranjeira. Após o noivado realizado em 15 de outubro de 1839, ele retornou à Alemanha, desenhou o pequeno broche e mandou executá-lo como presente de noivado. Outras peças foram adicionadas no quinto e sexto aniversário de casamento, formando um lindo e romântico conjunto de tiara, brincos e broches, que ela sempre usou nas comemorações de suas bodas. Muitas das joias particulares de Vitória e diversas reformas de joias da Coroa foram desenhados por Albert.
A tiara de diamantes franjada (Russian Fringe Tiara) foi realizada em 1830 pelos joalheiros Rundell, Bridge and Rundell por encomenda do Rei George III para sua esposa Charlotte. Herdada por Vitória, ela a usou numa visita oficial à Ópera em 1839 e posando para um quadro em 1851. A Rainha Elizabeth II a usou emprestada da Rainha Mãe em seu casamento em 1947. Já o conjunto de colar e brincos foi feito pela joalheria Garrard em 1858 especialmente para Vitória e era uma de suas joias preferidas. Enquanto o Príncipe Albert foi vivo, ela usou frequentemente o broche de safiras e diamantes.
Graças ao FlickR de Moorina, que fotografou uma exposição com os figurinos do filme, podemos ver que figurino é uma arte prima-irmã de efeitos especiais: o Great George cheio de diamantes em várias lapidações diferentes vira um São Jorge esmaltado. Já o super conjunto em ouro amarelo de pertinho, hum… Sandy Powell ganhou o Oscar de melhor figurino e não economizou em tecidos, rendas e fitas de época, mas não há nenhuma referência ao empréstimo de joalherias, famosas ou não. Só uma frase dela que diz que o colar do casamento (que by the way é uma rivière ao invés do colar de rosetas de diamantes) é de cristais.
A pequena coroa de diamantes da Rainha Vitória foi feita sob encomenda em 1870, como uma alternativa mais leve para a enorme Coroa Imperial. Vitória também não gostava da burocracia para retirá-la dos cofres da Torre de Londres. E com seu luto a grande coroa a impediria de usar o véu que a acompanhou anos a fio. Do colar eu já falei um pouco, mas vamos lá. Ele e os brincos são feitos em diamantes, ouro amarelo, prata e platina. O colar tem 38,1 cm de comprimento e os brincos 4,5 cm.
Rainha Vitória como se tornou conhecida nos livros de história e o filme de 1997 com Dame Judi Dench que dá uma olhadela nos seus anos de maturidade, após o longo luto pela morte precoce do Príncipe Albert aos 42 anos.













Um verdadeiro sonho de consumo!!! Lindas….
Adorei o post com as explicações! Estou doidinha pra ver o filme e conferir as joias
! Beijos
Mayra, o único perigo é gostar mais do post do que do filme. Tem gente achando o pobrezinho chatíssimo. Dica: pega numa locadora o antigão com a Romy Schneider que é engraçadíssimo.