Acessório do Dia 24 de junho de 2010

Da minha coleção particular: reproduções de joias pré-colombianas

Preciso fazer um mea culpa. Pisei na bola. Fui na onda dos anúncios oficiais da exposição de peças pré-colombianas que está na Pinacoteca de SãoPaulo e coloquei uma foto da peça mais impressionante do acervo do Museu do Ouro de Bogotá: a balsa muisca. Todos os anúncios traziam fotos dessa obra. Muita presunção achar que esta peça sairia por ai em turnê mundial, rs. O pior, eu vi na inauguração que ela não estava lá e me esqueci de fazer a correção aqui.

Entretanto, a exposição não decepciona. Aqui e alí a museografia deixa um pouco a desejar com legendas pouco esclarecedoras, mas as peças são fantásticas e há uns vídeos sobre sua produção que são imperdíveis. Vale assistir cada um deles.

Eu fui no dia da inauguração para assistir a palestra da diretora do Museu e do curador da exposição, mas quase não consegui ver as peças na sequência. Havia uma multidão na Pinacoteca. Voltei há dois fins de semana com amigos e foi bem mais gostoso. Começamos a brincar com algumas informações que faltavam e nos divertimos com o monte de bobagens com que preenchemos as lacunas. Poporo é o recipiente para armazenar cal. Para quê? Para processar coca. Há uma única legenda que informa isso, até achá-la criamos um monte de explicações bizarras. E o que é tumbaga? O nome é ótimo, mas o significado é singelo. Trata-se de uma liga composta de 40 a 70% de cobre e o restante de ouro. Foi a matéria prima por excelência da ourivesaria pré-colombiana. Ela permite preservar melhor os desenhos em relevo, facilita a fundição em cera perdida e possibilita a criação de uma variedade incrível de cores para as peças. Em termos simbólicos, esta liga representa a fertilização e o contato sexual. Vai entender…

O que importa é que é uma exposição que apresenta a riqueza do que foi produzido na região antes da chegada dos colonizadores e que revela o apuro estético e técnico da ourivesaria pre-colombiana.

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