Broche de rosas com diamantes – em lapidação européia antiga, minas antiga e rosa antiga – em prata e ouro, conhecido como Tudor Rose Brooch ou Vanderbild Rose Brooch

Hoje é meu aniversário e ando atarefadíssima com as encomendas de fim de ano. Tanto é assim, que mal estou comemorando meu dia preferido. Um colega de profissão me mandou flores no Facebook sem fazer ideia de que passei horas e mais horas discutindo com gente em três continentes a história dessa peça. Já deu para perceber que a atarefada passa um tempão nas redes sociais fazendo mexericos históricos.

O gesto foi lindo e escolher justo uma peça com a que estou super cismada foi a coincidência maravilhosa.

Só para vocês terem uma ideia da grandiosidade da peça, vejam estas fotos: Andrea Fiuczynski da Christie's de Los Angeles com o broche Tudor Rose e uma foto dele em exposição, ambas de 2004

Só para vocês terem uma ideia da grandiosidade da peça, vejam estas fotos: Andrea Fiuczynski da Christie’s de Los Angeles com o broche Tudor Rose e uma foto dele em exposição, ambas de 2004

Esta maravilha da joalheria tem um  monte de mistérios a serem desvendados. Ele aparece na capa do livro sobre a Mellerio dits Meller e lá dentro somos informados de que ele foi realizado pela joalheria para a Princesa Mathilda, sobrinha de Napoleão, em 1864. Ela era uma mulher cujos salão reunia o melhor das arte, cultura e sociedade e uma grande colecionadora de joias. A peça pertenceu a ela até sua morte em 1904, quando imediatamente foi leiloada, comprada pelo decorador Janesich, vendido à Cartier e adquirido para a Sra. Cornelius Vanderbilt, dona de uma das maiores fortunas dos EUA no início do século XX e outra grande apreciadoras de joias.  O broche reaparece em leilão em Genebra em 1972, quando é comprado por um colecionador anônimo, e em Nova York em 2004, quando Fred Leighton – meu joalheiro preferido – o levou à leilão após tê-lo em sua incrível coleção por alguns bons anos.

O melhor da história não está na passagem do broche da aristocracia europeia para o high society americano, mas em quem teria de fato realizado esta obra magnífica e quem é seu atual proprietário.

Sra. Cornelius Vanderbilt com o Tudor Rose Brooch, mas a melhor parte é que tem muito mais peças na produção, rs

Sra. Cornelius Vanderbilt com o Tudor Rose Brooch, mas a melhor parte é que tem muito mais peças na produção, rs

O autor do livro sobre a Mellerio dits Meller teve acesso pela primeira vez aos arquivos históricos da casa e lá consta a compra pela princesa da peça e tudo indica que ela então foi realizada pela joalheira. Entretanto no catálogo da Christie’s de 2004 e em diversas outras fontes, ele aparece como sendo uma criação de Theodore Fester, joalheiro francês que atendia à aristocracia na época de Napoleão III, e seria de 1855. Ambas as fontes são absolutamente fidedignas, mas sabemos que a Christie’s e o historiador consultado não teriam tido acesso aos livros da Mellerio. Por outro lado, sabemos que desde o início de sua história, esta joalheria era especializada em comércio e não necessariamente todas as joias saiam de suas oficinas. Conversei com um monte de gente no fim de semana na Europa, nos EUA e aqui no Brasil e ninguém nem entendia do que eu e outra amante da joalheria e amiga de Pinterest, que levantou a lebre, estávamos falando. Confundimos um monte de gente. Acho até que deixei um historiador sem dormir na França, rs. Esse pessoal que adora a história da joalheria é meio obcecado, ops. Estávamos entregando os pontos quando começaram a aparecer um monte de imagens de broches muito semelhantes e, lá pelas tantas, umas imitações ó-t-e-m-a-s…

Versão com marcassita (oi!) e a Sra. Choo - aristocrata de Beverly Hills com algo que me parece uma bela de uma reprodução

Versão com marcassita (oi!) e a Sra. Choo – aristocrata de Beverly Hills com uma bela de uma reprodução realizada por Iradj Moini

 

O que interessa é que me senti presenteada e adorei meu fim de semana trocando ideias na blogosfera.

Dedicadíssimo ao Jadiel e à Mariangela.

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